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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Mistérios revelados...



Um dia, escutei uma conversa estranha...

Mandaram um e-mail de Belo Horizonte, uma cidade bem longe daqui. Parece que tem alguém querendo um filhote de Buldogue Campeiro. Ouvi dizer que o filhote vai viajar de avião.

Como é que um filhote vai caber naquele negócio pequenininho que passa voando em cima do canil? Aquilo é menor que um pombo!


É isso aí: quem tem boca vai a Roma – que dirá a Belo Horizonte! Perguntei pro Paizão e ele me contou tudo. A conversa foi bem longa, porque no mundo canino o mistério não é a chegada da cegonha, mas a saída dos cãezinhos. Agora já estou bem informada!

Meu pai me explicou que na vida dos cães é assim: temos pelo menos duas famílias: uma canina e outra humana. Perguntei por que temos que viver com gente e não soltos, em matilha, como meu tataratataratataratataravô; e ele disse que é porque as pessoas precisam muito de nós, para aprender coisas que custam a descobrir sozinhas, por exemplo: como amar e cuidar de alguém, a importância de brincar e exercitar-se, o valor dos relacionamentos duradouros... Meu pai filosofou muito, usou umas palavras difíceis e eu fiquei meio confusa, mas entendi o que ele queria ensinar: gente precisa da gente.

A saída dos cãezinhos não acontece de uma hora para a outra e ninguém fica traumatizado! Primeiro nós curtimos bem nosso lar! É assim: ao nascermos, ficamos com nossos iguais: Papai, Mamãe e os irmãos. Quando paramos de mamar e começamos a mastigar e engolir aquelas bolinhas chamadas ração, estamos prontos para a próxima família, mas antes tomamos vacina e remédio contra vermes e aulas de como devemos nos comportar no avião.

Ah! O tal do avião é bem grande de verdade, a gente só enxerga pequeno porque está longe. Ufa! Pensei que teria que encolher caso me escolhessem!

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